
Passado. Passado? Passado mesmo?
Angústia. Nostalgia. Fuga. Medo. É, medo.
Medo infinito de não conseguir viver o presente. Medo de não conseguir desenlaçar os laços que me prendem ao passado.
Vai, desaparece, é esquecido. Volta, novamente preenche aquele vazio, e vai. Ciclo vicioso.
Até quando vou permitir que ele se repita? Quando vou conseguir ser forte o suficiente para dá um basta? Difícil. Afinal, acho que no fundo ainda existe uma esperança. Talvez não uma esperança, mas uma vontade de reviver os momentos felizes, de conseguir trazer de volta para minha vida as lembranças, revivê-las. É, talvez uma esperança. Esperança de acerto, de consertar os erros do passado de modo que tudo se torne perfeito. Medo de enfim conseguir viver o hoje. Apenas o hoje. Apego a algo que posso pensar, lembrar, talvez até fazer planos. Pânico total de deixar isso passar e talvez não haver outra coisa a que me apegar.
Talvez esse seja o maior erro. Talvez o apego ao passado afaste e impeça o aparecimento do presente. O aparecimento de histórias suficientemente marcantes ao ponto de serem primeiramente lembradas, mesmo que não somente.
É. Resultado de toda essa piração: só vou ter um novo presente quando me deixar superar o passado. Ponto.